terça-feira, 23 de outubro de 2012

E Lewandowski continua aprontando....



Mensalão: Lewandowski é criticado por colegas por citar artigo em jornal para formular tese
Foto: STF
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) classificaram de “heterodoxa” a iniciativa do revisor da ação penal do "mensalão", Ricardo Lewandowski, em usar um artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo para sustentar o seu entendimento sobre o crime de formação de quadrilha durante o julgamento.

 Na última quinta-feira (18), o magistrado absolveu todos os 13 réus deste capítulo, entre eles o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Lewandowski mencionou no plenário o texto do professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas Rafael Mafei Rabelo Queiroz, que havia analisado os critérios legais para a configuração de uma "quadrilha".

 Para o acadêmico, a formação de bando "é um crime autônomo que não se confunde com os delitos que por intermédio dela se praticam”.

 O revisor enfatizou ainda que Mafei “desenvolveu um raciocínio” como o das ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia. 

“É heterodoxo um ministro votar com base em um artigo publicado em jornal."

 A Suprema Corte do país tem de se citar. Se quiser citar outros doutrinadores, que sejam ex-ministros do tribunal ou juristas consagrados”, ciriticou um dos ministros ao Blog do Camarotti. Mas Lewandowski ressaltou que o artigo é de um docente de uma das mais respeitadas escolas de direito do Brasil. 

O ministro lembrou que o autor do texto é mestre e doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e que também fez estudos na Alemanha em direito penal internacional em nível de doutorado.

 “Por essas razões, ele é um dos analistas em um dos mais influentes jornais do país sobre a ação penal 470″, afirmou Lewandowski.

lula diz que foi julgado ,pelo povo, elegendo a Dilma...


Quinta, 18 de Outubro de 2012 - 08:11

'Já fui julgado', diz Lula sobre mensalão

'Já fui julgado', diz Lula sobre mensalão
O ex-presidente Lula disse em entrevista ao jornal argentino La Nación que já foi julgado, ao comentar o processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), que discute a participação de integrantes da cúpula do PT em um esquema de compra de apoio parlamentar durante o seu governo.

__ “Eu já fui julgado [pelo mensalão]. 
__  A eleição da Dilma foi um julgamento extraordinário. Para um presidente com oito anos de mandato, sair com 87% de aprovação é um grande juízo”, afirmou o ex-presidente, em referência à última avaliação feita sobre seu governo pelo Instituto Ibope, em dezembro de 2010.

 Lula esteve nesta quarta-feira (17) na Argentina para participar de um congresso empresarial e almoçou com a presidente do país, Cristina Kirchner na Casa Rosada.  

O mais importante no 38º dia


Enviado por Ricardo Noblat - 
18.10.2012
 | 
20h44m


                    
POLÍTICA

Julgamento do Mensalão: O que foi mais importante no 38º dia

Com a chegada da reta final do julgamento do Mensalão, a “tampa” do esquema destrinchado durante as últimas 37 sessões começou a ser posicionada.

Após analisarem todos os crimes praticados, os Ministros finalmente focam na suposta quadrilha que teria viabilizado todo o ocorrido.
Nesse item, o Ministro Relator, Joaquim Barbosa, só não condenou Geiza Dias e Ayanna Tenório, respectivamente funcionárias de Marcos Valério e do Banco Rural, e que já haviam sido absolvidas pelo Plenário dos outros crimes dos quais foram acusadas. Por isso, não faria sentido incluí-las na quadrilha.
O Revisor, sem prejuízo das condenações pelos crimes cometidos por cada acusado, e sem muita surpresa, absolveu todos os envolvidos nesse item da formação de quadrilha.
E a exemplo do ocorrido ontem, fez alteração do seu voto, mas sobre ponto diverso dos modificados pelos outros Ministros na quarta feira. Lewandowski voltou atrás e absolveu os parlamentares da base que antes tinha condenado por formação de quadrilha.
No caso de uma dessas absolvições fruto da mudança de posicionamento, a de Valdemar Costa Neto, foi gerado mais um empate, que deverá ser dirimido muito em breve, à medida que o julgamento se aproxima de seu fim.
Após quase três meses de longas discussões, o desfecho do julgamento parece estar muito próximo. A data final prevista é 25 de outubro.
Com a viagem de Joaquim Barbosa à Alemanha no próximo dia 29 para tratar de sua coluna, é necessário que todos os pontos estejam devidamente amarrados até a próxima quinta-feira, último dia de sessão.
O Ministro, que suportou um massacre sobre sua prejudicada coluna ao participar de sessões seguidas, precisa aliviar o corpo e retomar o tratamento.
Entretanto, até lá é necessário terminar de colher os votos dos Ministros sobre este último item da formação de quadrilha, o que deve ocorrer na segunda feira, decidir como serão resolvidos os empates (e resolvê-los), além de finalmente dosar as penas dos réus condenados – não sem antes decidir se os Ministros que votaram pela absolvição terão voto na dosimetria.
E com tantas pendências por serem decididas, é difícil acreditar que em uma semana tudo se resolva, mesmo com a sessão extra marcada para terça-feira que vem.
Assim, caso não se complete o julgamento até o dia 25, as sessões do mensalão ficarão suspensas até o retorno de seu Relator, no dia 3 de novembro. Se isso ocorrer, o prazo para conclusão das atividades do Plenário passa a ser o dia 14, também de novembro.
Desse modo, mesmo que o fim do julgamento, ainda que próximo, não esteja claramente definido, uma coisa é certa: a participação do Presidente da Corte, Ministro Ayres Britto até o final.
A aposentadoria de Brito virá apenas no dia 18 de novembro, e com isso a serenidade do Plenário estará garantida até a batida final do martelo, em um processo que se arrasta há meses e vem esgotando Ministros, advogados, procuradores e, quiçá, a opinião pública.
Mas não desanimemos. Afinal, uma importante página da história política do Brasil está sendo escrita, e todos estamos tendo o privilégio de testemunhá-la.

Marina Bertucci Ferreirado escritório Lira Rodrigues, Coutinho e Aragão, Brasília/DF

Relator inicia julgamento da Quadrilha...


Relator inicia voto sobre formação de quadrilha; mensalão terá sessão extra





quarta-feira, 17 de outubro de 2012 20:43 
 

Por Hugo Bachega
BRASÍLIA, 17 Out (Reuters) - O relator da ação penal do mensalão, Joaquim Barbosa, iniciou nesta quarta-feira a leitura do capítulo referente à acusação de formação de quadrilha, último item a ser analisado no julgamento, cuja expectativa é que seja finalizado na próxima semana, com nova condenação da cúpula petista à época do escândalo.
São 13 réus neste capítulo, incluindo o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro da legenda Delúbio Soares. Os três já foram condenados por maioria da Corte pelo crime de corrupção ativa. Barbosa deve culpá-los, também, por formação de quadrilha.
O relator, que interrompeu a leitura de seu voto, recordou outros trechos do julgamento, e apontou depoimentos e diálogos que comprovam o "vínculo de hierarquia e subordinação" entre Dirceu e os demais integrantes do núcleo político.
"José Dirceu comandava o núcleo político que, por sua vez, orientava as ações do núcleo publicitário, o qual normalmente agia em concurso com o chamado núcleo financeiro-Banco Rural", disse Barbosa.
Para o relator, já está provado que Dirceu, Genoino e Delúbio agiram com os integrantes do chamado núcleo publicitário, liderado por Marcos Valério, e "corromperam parlamentares para ampliar e manter a base aliada do governo" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa é que Barbosa termine a leitura de seu voto na primeira parte da sessão de quinta-feira, e será seguido pelo revisor, Ricardo Lewandowski. Os demais ministros deverão votar na segunda.
SESSÃO EXTRA
A Corte realizará uma sessão extra na terça-feira para que o julgamento seja finalizado na próxima semana, antes, portanto, do segundo turno das eleições municipais, que será realizado no dia 28.   Continuação...

marco definitivo na vida pública brasileira!


Terça, 16 de Outubro de 2012 - 17h09

Mensalão-Repercute: Julgamento é marco definitivo na vida pública brasileira, diz Aécio


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SÃO PAULO, SP, 15 de outubro (Folhapress) - 


O senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse em nota divulgada hoje que o julgamento do mensalão é um "marco definitivo na vida pública brasileira", e seu resultado irá melhorar a política no país.

Para Aécio, é "natural" que o PT pague "a conta", principalmente nas eleições, já que seus líderes foram condenados, mas o tema não deve ser o principal a ser explorado no segundo turno. 

"É natural que a questão do mensalão paire como uma mácula, como uma mancha muito importante em um período expressivo de governo do PT há alguns anos atrás", disse.

Na nota, Aécio falou também sobre o desempenho do PSDB no primeiro turno das eleições e criticou o governo Dilma. Para o senador, a presidente deveria aproveitar sua "altíssima popularidade" para "enfrentar os grandes gargalos que têm feito o Brasil crescer de forma inexpressiva", como projeto dos royalties da mineração.

Duda é absolvido


MENSALÃO: Duda Mendonça é absolvido de lavagem e evasão de divisas

FOTO: Divulgação
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COM VOTO de Celso de Mello, publicitário e sua sócia são absolvidos integralmentos dos crimes pelo STF
BRASÍLIA -
O ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello deu o sexto voto pela absolvição do publicitário da campanha de Lula em 2002, Duda Mendonça, e sua sócia, Zilmar Fernandes, da acusação de lavagem de dinheiro no processo do mensalão. Com isso, os dois réus foram absolvidos integralmente pelo STF, uma vez que já havia maioria para livrá-los da acusação de evasão de divisas.

Para Celso de Mello, decano da corte, não ficou provado que Duda e Zilmar tinham conhecimento da existência de crimes antecedentes relativos aos recursos recebidos no exterior por meio de uma offshore. Ele destacou que os crimes antecedentes listados na denúncia seriam os desvios de recursos no Banco do Brasil e na Câmara e os empréstimos fraudulentos nos bancos Rural e BMG. Estes fatos, porém, ocorreram depois de fevereiro de 2003, quando Duda abriu a conta para receber os recursos.

Os ministros voltaram a debater sobre o tema. O relator, Joaquim Barbosa, afirmou que o crime antecedente seria a evasão de divisas feita em cada remessa. Ele disse ainda que somente depois do escândalo se descobriu que a conta era de Duda. Os advogados de Duda e Zilmar, Antonio Carlos de Almeida Castro e Luciano Feldens, chegaram a usar a tribuna para esclarecer algumas questões. Almeida Castro observou que Duda entregou seu passaporte na abertura da conta, enquanto Feldens afirmou que não houve denúncia sobre a evasão de divisas como crime antecedente.

Celso de Mello considerou culpados por evasão de divisas Marcos Valério, seu ex-sócio Ramon Hollerbach, a ex-diretora da agência Simone Vasconcelos, a ex-presidente do Rural Kátia Rabelo e o ex-vice José Roberto Salgado. Votou ainda pela absolvição do outro sócio de Valério, Cristiano Paz, da ex-funcionária da agência Geiza Dias e do ex-diretor do Rural Vinicius Samarane.















quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Condenação é exemplar!!!


Gurgel responde a petista e diz que condenação 

é 'exemplar'


Autor dos pedidos de condenação de toda a antiga cúpula do PT no governo Lula, o procurador-geral da República,...
Autor dos pedidos de condenação de toda a antiga cúpula do PT no governo Lula, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, rebateu ontem a afirmação feita em carta divulgada pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu que comparou a decisão do Supremo Tribunal Federal a "um juízo político e de exceção".
O documento foi divulgado na terça-feira, momentos após o Supremo ter condenado Dirceu por corrupção ativa. Para Gurgel, que exaltou o fato de o colegiado ter aceitado a acusação "solidamente lastreada em provas", nas palavras dele, a afirmação de Dirceu é "absolutamente despropositada".
"O Supremo Tribunal Federal tem, desde o início, não apenas do julgamento, mas desde o início da tramitação do inquérito, se esmerado em assegurar aos acusados o devido processo legal, a observância, enfim, de todos aqueles direitos e garantias previstos na Constituição da República. É um julgamento que, longe de constituir julgamento de exceção, constitui um exemplo magnífico de um julgamento feito por um tribunal de um país em que o Estado democrático de direito vigora", afirmou Gurgel, durante o intervalo do julgamento.
OEA. Para o chefe do Ministério Público Federal, um eventual recurso de condenados no processo à Organização dos Estados Americanos (OEA) só é cabível nos caso em que há julgamento de exceção. Até o momento, o ex-presidente do extinto PL e deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP), condenado pelo STF por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, já anunciou sua intenção de recorrer à Corte internacional.
Gurgel minimizou a importância do recurso para uma instituição Judiciária de fora do País. "Eu vejo essas afirmações como um direito dos acusados de, diante de um juízo condenatório do Supremo Tribunal Federal, pretender afirmar que este não é ainda um julgamento definitivo, quando, na verdade, temos um julgamento definitivo da mais alta Corte do País", destacou.
'Marco histórico'. O procurador-geral disse que faz um balanço "extremamente positivo" do julgamento, que "constituirá um marco histórico no País no sentido de uma condenação definitiva de certas práticas da nossa política".
O chefe do MP está analisando se vai entrar com pedidos cautelares, como o confisco de passaporte e a exigência de expedição imediata dos mandados de prisão dos condenados ao fim do julgamento. "Vamos aguardar a conclusão do julgamento", disse, referindo-se à execução das penas antes da apresentação de recursos.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Dora Kramer -> Indevida salvaguarda!!!


Dora Kramer

Indevida salvaguarda

10 de outubro de 2012 | 3h 04

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo
Liquidada a questão na Justiça, resta a José Dirceu e José Genoino tentar equilibrar as coisas no campo político.
O instrumento é o mesmo ao qual eles vêm recorrendo há algum tempo: a confrontação de suas trajetórias de vida com os votos condenatórios no Supremo Tribunal Federal, a fim de criar uma atmosfera de cruel linchamento.
O PT inclusive prepara um desagravo público a ser realizado após o fim do julgamento do mensalão, com a finalidade de deixar consignado que político com "história" não pode ser tratado como um molambo qualquer.
Faz sentido? Depende de como se vê a cena. Se o princípio é o de que os fins justificam quaisquer meios, até faz.
O partido continuará insistindo na história dos "erros pontuais" cometidos em nome de um projeto em prol da justiça social, jurando que não houve desejo deliberado de obter vantagens pessoais indevidas.
O PT se vê de forma muito diferente daquela com que enxerga a constelação de "vendidos" que cooptou para formar maioria: nada fez de má-fé. Agiu por ideologia nas melhores das boas intenções. Injusta, portanto, punição tão pesada.
Mas há outra maneira de olhar que subtrai todo e qualquer cabimento da ideia de uma absolvição virtual dando os mesmos pesos e medidas aos bons propósitos e aos atos nefastos.
Nem com muito esforço de boa vontade é possível esperar que daí resulte algum equilíbrio.
Por um motivo muito claro e simples: as "trajetórias de lutas", sejam quais forem elas, não podem servir como salvo-conduto a más condutas escoradas na ilicitude.
Argumenta-se, para lamentar as condenações, que José Dirceu e José Genoino são homens com "história". Verdade incontestável, ninguém discute esse ponto. Neles, aliás, reside a grande incoerência.
Políticos donos de substancioso histórico têm a obrigação de se comportar melhor que os demais - os desprovidos de semelhante bagagem. Pela lógica seria inerente a seres tão especiais a sensibilidade para distinguir entre o que está dentro ou fora dos marcos da legalidade.
Não uma qualidade, mas um dever de militantes forjados na ideologia. De valdemares e companhia espera-se qualquer coisa, mas do PT o País esperava maior apreço pelo ofício.


ESTA CARTA DEVERIA TER SIDO ENVIADA AO EX / LULA



NÃO POSSO CHORAR, NEM ACARINHAR,UM HOMEM TRAIDOR DO POVO QUE O ELEGEU....
SINTO MUITO, MAS SEU PEDIDO NÃO FAZ SENTIDO, DIANTE DA MISÉRIA EM QUE VIVEM,MUITOS BRASILEIROS QUE CONFIAVAM EM SEU PAI E SEUS AMIGUINHOS....

VOCÊS RIRAM BASTANTE, AGORA É HORA DE CHORAR!!!!



Veja, abaixo, a carta escrita pela filha de Genoino na íntegra:


A coragem é o que dá sentido à liberdade

Com essa frase, meu pai, José Genoino Neto, cearense, brasileiro, casado, pai de três filhos, avô de dois netos, explicou-me como estava se sentindo em relação à condenação que hoje, dia 9 de outubro, foi confirmada.

Uma frase saída do livro que está lendo atualmente e que me levou por um caminho enorme de recordações e de perguntas que realmente não têm resposta.

Lembro-me que quando comecei a ser consciente daquilo que meus pais tinham feito e especialmente sofrido, ao enfrentar a ditadura militar, vinha-me uma pergunta à minha mente: será que se eu vivesse algo assim teria essa mesma coragem de colocar a luta política acima do conforto e do bem estar individual? Teria coragem de enfrentar dor e injustiça em nome da democracia?

Eu não tenho essa resposta, mas relembrar essas perguntas me fez pensar em muitas outras que talvez, em meio a toda essa balbúrdia, merecem ser consideradas...

Você seria perseverante o suficiente para andar todos os dias 14 km pelo sertão do Ceará para poder frequentar uma escola? Teria a coragem suficiente de escrever aos seus pais uma carta de despedida e partir para a selva amazônica buscando construir uma forma de resistência a um regime militar? Conseguiria aguentar torturas frequentes e constantes, como pau de arara, queimaduras, choques e afogamentos sem perder a cabeça e partir para a delação? Encontraria forças para presenciar sua futura companheira de vida e de amor ser torturada na sua frente? E seria perseverante o suficiente ao esperar 5 anos dentro de uma prisão até que o regime político de seu país lhe desse a liberdade?

E sigo...

Você seria corajoso o suficiente para enfrentar eleições nacionais sem nenhuma condição financeira? E não se envergonharia de sacrificar as escassas economias familiares para poder adquirir um terno e assim ser possível exercer seu mandato de deputado federal? E teria coragem de ao longo de 20 anos na câmara dos deputados defender os homossexuais, o aborto e os menos favorecidos? E quando todos estivessem desejando estar ao seu lado, e sua posição fosse de destaque, teria a decência e a honra de nunca aceitar nada que não fosse o respeito e o diálogo aberto?

Meu pai teve coragem de fazer tudo isso e muito mais. São mais de 40 anos dedicados à luta política. Nunca, jamais para benefício pessoal. Hoje e sempre, empenhado em defender aquilo que acredita e que eu ouvi de sua boca pela primeira vez aos 8 anos de idade quando reclamava de sua ausência: a única coisa que quero, Mimi, é melhorar a vida das pessoas...

Este seu desejo, que tanto me fez e me faz sentir um enorme orgulho de ser filha de quem sou, não foi o suficiente para que meu pai pudesse ter sua trajetória defendida. Não foi o suficiente para que ganhasse o respeito dos meios de comunicação de nosso Brasil, meios esses que deveriam ser olhados através de outras tantas perguntas...

Você teria coragem de assumir como profissão a manipulação de informações e a especulação? Se sentiria feliz, praticamente em êxtase, em poder noticiar a tragédia de um político honrado? Acharia uma excelente ideia congregar 200 pessoas na porta de uma casa familiar em nome de causar um pânico na televisão? Teria coragem de mandar um fotógrafo às portas de um hospital no dia de um político realizar um procedimento cardíaco? Dedicaria suas energias a colocar-se em dia de eleição a falar, com a boca colada na orelha de uma pessoa, sobre o medo a uma prisão que essa mesma pessoa já vivenciou nos piores anos do Brasil? 

Pois os meios de comunicação desse nosso país sim tiveram coragem de fazer isso tudo e muito mais. Hoje, nesse dia tão triste, pode parecer que ganharam, que seus objetivos foram alcançados. Mas ao encontrar-me com meu pai e sua disposição para lutar e se defender, vejo que apenas deram forças para que esse genuíno homem possa continuar sua história de garra, HONESTIDADE e defesa daquilo que sempre acreditou.

Nossa família entra agora em um período de incertezas. Não sabemos o que virá e para que seja possível aguentar o que vem pela frente pedimos encarecidamente o seu apoio. Seja divulgando esse e/ou outros textos que existem em apoio ao meu pai, seja ajudando no cuidado a duas crianças de 4 e 5 anos que idolatram o avô e que talvez tenham que ficar sem sua presença, seja simplesmente mandando uma palavra de carinho. Nesse momento qualquer atitude, qualquer pequeno gesto nos ajuda, nos fortalece e nos alimenta para ajudar meu pai.

Ele lutará até o fim pela defesa de sua inocência. Não ficará de braços cruzados aceitando aquilo que a mídia e alguns setores da política brasileira querem que todos acreditem e, marca de sua trajetória, está muito bem e muito firme neste propósito, o de defesa de sua INOCÊNCIA e de sua HONESTIDADE. Vocês que aqui nos leem sabem de nossa vida, de nossos princípios e de nossos valores. E sabem que, agora, em um dos momentos mais difíceis de nossa vida, reconhecemos aqui humildemente a ajuda que precisamos de todos, para que possamos seguir em frente.

Com toda minha gratidão, amor e carinho,

Miruna Genoino
09.10.2012 

O mais importante neste 34º dia de julgamento.


Enviado por Ricardo Noblat - 
10.10.2012
 | 20h30m
POLÍTICA

Julgamento do Mensalão: O que foi mais importante no 34º dia

Com a condenação de José Dirceu na tarde de ontem, o fato de hoje ficou com a eleição de Joaquim Barbosa para assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal a partir do mês que vem, quando Ayres Britto deixa compulsoriamente a Corte aos 70 anos de idade.

Para quem não está familiarizado com as solenidades do STF, a escolha de Joaquim poderia ser atribuída ao destaque que o Ministro tem recebido ao longo deste julgamento.
Contudo, não é isso. A tradição do Supremo sempre determinou que o ministro mais antigo, e que ainda não tivesse ocupado o cargo, deveria ser eleito.
Apesar de certa especulação em torno da possibilidade da quebra dessa tradição, notadamente diante dos embates com outros Ministros e que sempre marcaram a atuação de Barbosa, o Supremo não fugiu da regra e confirmou seu respeito aos costumes.
Joaquim Barbosa foi eleito por 9 votos a 1. A divergência, esclareça-se, partiu dele mesmo, vez que também é da regra de comportamento que nenhum Ministro vota em si.
Enfim, a partir de novembro o Supremo será presidido por Joaquim Barbosa, Ministro que chegou à casa sob os holofotes do discurso preconceituoso, onde o principal destaque, à época, não se apegava às suas qualidades técnicas, mas, sim à sua condição de primeiro negro a ocupar as cadeiras da Suprema Corte de Justiça.
Agora, após sua inegável ascensão a popstar, aplaudido nas ruas e distribuindo autógrafos, Joaquim Barbosa será colocado na linha sucessória da Presidência da República, devendo ser chamado ao exercício na hipótese de impedimento ou vacância dos cargos de Presidente e Vice, e após convocados os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, tudo por expressa determinação constitucional.
Mas a votação não foi apenas para Presidente do STF. Ricardo Lewandowski também recebeu 9 votos, sendo 1 contra – o dele mesmo – e irá ocupar a Vice-Presidência do Tribunal igualmente a partir do próximo mês.
A dobradinha está novamente posta.
Entretanto, aos que certamente devem estar imaginando um conflito em torno das atribuições do cargo, com posições divergentes entre Barbosa e Lewandowski, deve ser lembrado que é pouco provável que haja qualquer indisposição nesse sentido.
Ordinariamente, o Vice-Presidente não interfere nas conduções e manifestações do Presidente da Corte. A respeitabilidade institucional será preservada.
Ademais, já se mostrou durante o julgamento que, mesmo com discussões por vezes acaloradas entre os Ministros, no final estão de bem, demonstrando a maturidade própria de um ocupante do cargo e confirmando o velho jargão de que “as ideias brigam, os homens não”.
Inegavelmente, goste das posições deles ou não, Joaquim Barbosa e Lewandowski são Ministros com formação jurídica destacada.
Se, a depender da situação, os pontos de vista divergem, acarretando mais ou menos popularidade a qualquer deles, isso não os diminuiu em suas formações republicanas e jurídicas. Aliás, não se pode negar que a divergência é em tudo salutar para a construção do pensamento, seja no Judiciário ou em qualquer outro campo.
E é assim, entre divergências e embates, mas no respeito republicano e dos costumes, que o Supremo continuará sendo conduzido.

Murilo Leitãoadvogado do escritório Lira Rodrigues, Coutinho e Aragão, Brasília/DF