quarta-feira, 3 de outubro de 2012

03/10/2012 => Deixe-o espernear, ele pensava que seria absolvido....







03/10/2012 16h17 - Atualizado em 03/10/2012 17h46

Recurso à Corte Interamericana é 'o direito de espernear', diz ministro

Para Marco Aurélio, corte internacional não atenderia réu do mensalão. 
Costa Neto afirmou que irá recorrer 'até as últimas instâncias do planeta'.

Fabiano Costa, Mariana Oliveira e Nathalia Passarinh
Do G1, em Brasília
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Um dia após o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) declarar que pretende recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos para tentar reverter sua condenação no processo do mensalão, o ministro Marco Aurélio Mello disse não enxergar violações na ação penal que levem o tribunal internacional a apreciar os apelos dos réus do esquema de compra de votos no Congresso. Segundo o magistrado, a iniciativa de Costa Neto é “o direito de espernear”.

Na última segunda (1º), Costa Neto foi condenado pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. No dia seguinte, em entrevista coletiva, o deputado comunicou que tentará "fazer prevalecer" a Convenção Americana de Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário, a fim de assegurar o reexame da condenação penal.“Será que ainda vão encampar uma resignação contra uma decisão condenatória por peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção? É muito difícil a corte (interamericana) se pronunciar. É o direito de espernear ou de se fazer um discurso político para preparar outro campo”, avaliou o ministro.

Para Marco Aurélio Mello, ainda que o Brasil tenha apoiado e reconhecido a criação do tribunal internacional, as eventuais decisões da corte não têm o poder de cassar uma sentença da suprema corte brasileira.
Além disso, segundo o ministro, a corte interamericana costuma filtrar as demandas. Sediado na cidade de San José, capital da Costa Rica, o tribunal é voltado para processos em que tenham ocorrido violações de direitos humanos.
O órgão internacional já analisou, por exemplo, questionamento de responsabilidade do Brasil no desaparecimento de 70 militantes de esquerda na região do Araguaia durante a ditadura militar. Após julgar o caso, a corte interamericana determinou que o governo brasileiro investigasse os eventuais culpados pelas supostas mortes e reparasse os direitos dos familiares.
Marco Aurélio Mello também rebateu a crítica de Costa Neto de que ele estaria convencido de que ocorreram “atropelos” em sua condenação. Ironizando a declaração do deputado do PR, o ministro ressaltou que, antes do julgamento, o parlamentar também tinha certeza de que seria inocentado pelo Supremo. “Não houve atropelos. Se observaram as normas", contestou o magistrado.

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